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Como utilizar a neurociência para favorecer o processo de ensino e aprendizagem

por Dra. Cleumar Bernardo Dias

Como utilizar a neurociência para favorecer o processo de ensino e aprendizagem

Resumo

O texto aborda a intersecção entre neurociência e educação, destacando a importância de compreender como o cérebro processa, armazena e utiliza informações. Ele enfatiza a plasticidade neural, a memória de trabalho, as funções executivas e o potencial do cérebro, ressaltando a relevância de utilizar esses conhecimentos para aprimorar estratégias educacionais.

Opinião: A neurociência na educação oferece uma visão profunda sobre os processos cerebrais envolvidos no aprendizado, proporcionando insights valiosos para educadores e alunos. Compreender como o cérebro funciona e se adapta é crucial para aprimorar as práticas educacionais e criar ambientes de aprendizado mais eficazes. Utilizar o conhecimento neurocientífico pode, portanto, potencializar a capacidade de aprendizagem e desenvolvimento pessoal dos educandos. A aplicação prática desses conhecimentos pode resultar em estratégias inovadoras que beneficiam o processo educacional como um todo.

‌Introdução

No cruzamento envolvente, a ponte entre a neurociência e a educação, sinaliza-se um extenso campo de estudo dedicado a descobrir os mistérios da mente humana e executar esse conhecimento para melhorar os processos de aprendizagem. A neurociência aplicada a educação a absorver os confusos mecanismos pelos quais o cérebro armazena conhecimento, processa informações e influencia o comportamento.

Nesse trajeto de descobertas, vasculha-se o funcionamento intrincado do cérebro, investigando como ele seleciona comportamentos, alimenta a memória de trabalho e exerce as funções executivas complexas. O núcleo desse estudo consiste na compreensão vasta do potencial cerebral. E a capacidade singular de adaptação do órgão mais complexo do corpo humano.

Ao submergir nesse oceano de conhecimento, deseja-se aplicar essas descobertas para melhorar o processo educacional, como também compreender os critérios biológicos do aprendizado.

A procura pela compreensão do cérebro humano é uma trajetória de autoconhecimento, tanto para os educadores, quanto para o os educandos. Isso proporciona uma compreensão mais acentuada de como usufruir ao máximo o potencial cerebral.

Esta introdução nos recomenda a conhecer os intrincados enigmas do cérebro, explorando a modulação de sua função para desvendar os segredos que alimenta a forma como observamos, processamos e aplicamos conhecimento. Em um tempo onde a integração entre educação e neurociência se revela crucial, pegamos carona nessa jornada para descobrir os segredos da mente, formando educadores e alunos para alcançarem o máximo do potencial cerebral presente em cada sala de aula.

Em síntese, a combinação entre neurociência e educação é uma busca de grande valia pela otimização do processo do ensinar e aprender, é a combinação entre a ciência do cérebro e o trajeto da arte de ensinar. Que o mergulhar nas profundezas do conhecimento cerebral traga inspirações e inovações pedagógicas e nos leva a promover ambiente educacional mais prazeroso, eficaz e que cada mente seja capaz de florescer em sua integralidade.

Revisão de Literatura

Como o cérebro processa as informações

 

O cérebro recebe os estímulos através dos órgãos do sentido, ativa diferentes grupos de neurônios interligados entre si e, a partir desse momento, ocorre a sinapse (conexões entre os neurônios) promovendo o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem. Ou seja, as informações são captadas pela atenção promovidas pelo cérebro gerando significado. A transmissão da informação é possível pela presença de neurotransmissores, mensageiros químicos onde o impulso nervoso (sinal elétrico) ocorre de uma célula para outra. Existe também as sinapses elétricas, estas transitam de um neurônio ao outro.

Os neurônios, células nervosas, são responsáveis pela propagação do impulso nervoso e compõem o sistema nervoso assim como as células glias. Existem aproximadamente cerca de 100 bilhões de neurônios no cérebro humano cada um conectado a vários outros, formando redes complexas. Ao longo da vida humana, os neurônios morrem e nascem outros novos como um ciclo.

Estrutura neural possuem núcleos e mitocôndrias, no entanto, sua forma está relacionada com a sua função.

Com a plasticidade neural o cérebro se adapta e reorganiza permitindo a aprendizagem e a formação de novas ligações neurais por meio de experiências. Já a memória é formada pelas mudanças nas sinapses quando ativa determinadas áreas cerebrais.

Como o cérebro é um campo em constante evolução, compreendê-lo nos aspectos de cognição, comportamento e emoção em sua totalidade exige aprimoramento de estudos.

Como o cérebro armazena conhecimento

Uma das chaves para a retenção das informações pelo aluno consiste na adaptação da vida escolar e, o primeiro contacto social não é com os colegas, mas sim com os professores. Dessa forma, é perceptível a necessidade do bom relacionamento entre professor e aluno para que haja, por parte do educando, interesse pelo material ofertado pelo mestre. Fica claro que os alunos podem aprender e lembrar de uma maneira melhor a partir de sua relação com o professor. É nítido também, a importância da didática e planejamento do material de estudo de modo a atrair o interesse do aprendiz.

Alguns projetos de pesquisa especulam que, ao tornar seu ambiente de aprendizado mais confortável, as informações sobre o que foi aprendido em sala de aula seriam mais fáceis de coletar e lembrar. Uma relação professor-aluno doentia pode dificultar o estímulo ao interesse pelo aprendizado e a retenção até dos mínimos detalhes do conhecimento. Uma base emocional cultivada pode fornecer suporte para o melhor desenvolvimento dos alunos. Também foi sugerido que os momentos de envolvimento do aluno, ou seja, quando perguntas avançadas são respondidas, geralmente contribuem para a motivação do professor e a retenção das informações pelo aluno. Problemas emocionais e baixa saúde mental dificulta o processo de aprendizagem.

Lev Vygotsky (psicólogo histórico cultural), menciona que as emoções passam por adaptação quando orientada a reagir a uma determinada situação. Ela define e trabalha experiências, podendo ser tanto boas, quanto ruins. É responsável pela conscientização e reação frente aos desejos e necessidades de uma futura ação. Desse modo, alunos com maiores dificuldades, tendem a regredir, caso suas emoções não sejam trabalhadas corretamente.

Damásio (Médico neurologista e neurocientista português), julgava que comportamentos e decisões altamente autorregulados conseguem ser levado pelas respostas corporais na hipótese das suas conclusões.

‌E como seleciona comportamento

Para fazer com que o aluno aprenda é necessário entender que, a aprendizagem passa por processo complexo, o ato de criar pode fortalecer ou modificar as sinapses (conexão entre os neurônios e as células), leva o indivíduo a adquirir novas habilidades/comportamentos modificando o cérebro. Esse processo é conhecido como plasticidade cerebral, ou, neuroplasticidade.

Cada criança apresenta resultados diferentes a depender dos estímulos acumulados desde seu nascimento. Para isso, é necessário observar a importância de o professor ter um olhar atento para a individualidade de seu alunado. Em sala de aula, o docente deve adotar estratégias diferenciadas.  Para atingir os objetivos com equidade, cabe ao professor ampliar as variedades de estímulos no processo de inclusão.

De acordo com a revista “Nova Escola” e o pensamento de Alfred Sholl-Franco, professor de Neurobiologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), armazenar informações exige uma série de procedimentos até que elas sejam consistentes em memórias de longo prazo – que por vez, mobilizam diferentes mecanismos e variáveis para seu uso e para produzir comportamentos.

A Base Nacional Comum Curricular-BNCC, orienta a expor os conteúdos mais de uma vez e de forma diferente como um espiral para consolidar a retenção das informações de modo a armazenar a longo prazo. Para esse propósito, exige também, de tempo para que a consciência se desenvolva e, de acordo com Piaget, as informações se acomodam. “A estrutura da mente de um indivíduo é chamada de esquema e deve sofrer modificações para se adaptar às novas informações”.

‌Funcionamento do cérebro


Os órgãos dos sentidos são responsáveis por captar e processar os estímulos gerados pelas experiências chamados de sistema nervoso central. A detecção e a decodificação dos estímulos sensoriais são chamadas de transdução sensorial, que ao ser estimulado envia ao cérebro sinais nervosos, em seguida, cria ligações neurais modelando o cérebro e memória. O sistema nervoso central processa as informações e gera as respostas esperadas.

A motivação desempenha um papel fundamental no processo de ensino e aprendizagem e relaciona-se aos circuitos neurais. Destaca-se alguns exemplos dessa interação:

Por recompensa:

  • A recompensa está envolvida na motivação.
  • Ao receber uma recompensa (reconhecimento), esse sistema é ativado, o chamado reforço positivo.

Por Dopamina:

  • A dopamina é um neurotransmissor coparticipante da motivação e da recompensa.
  • A liberação da dopamina estimula o interesse por alcançar os objetivos, incentivando a aprendizagem.

Por Amígdala:

  • Amígdala, região do cérebro associada as emoções, responsável por desempenhar um papel na resposta emocional à aprendizagem.

Por Hipotálamo:

  • O hipotálamo é responsável por regular a motivação bem como o comportamento alimentar.
  • Desempenha também um papel na regulação da atenção.

Por Córtex Pré-Frontal:

  • O cérebro pré-frontal, em particular o córtex pré-frontal dorsolateral, está compreendido no controle cognitivo e na tomada de decisões.
  • Ele regula o comportamento motivado, ajuda a direcionar a atenção e mantem o foco nas metas da aprendizagem.

Por Sistema Nervoso Autônomo:

  • O sistema nervoso autônomo inclui o sistema simpático e o parassimpático, persuade o estado de alerta e a disposição para aprender.
  • Ocorre o equilíbrio entre esses sistemas e regula a emoção cognitiva.

Por Circuito de Recompensa Antecipada:

  • Antes de alcançar uma recompensa, o cérebro processa e responde à recompensa.
  • O circuito de recompensa antecedente está relacionado ao desejo de

A recompensa dos circuitos neurais pode contribuir aos professores a proporcionar ambientes de aprendizagem motivadoras. São estratégias que reforçam a conexão emocional entre aluno e conteúdo, melhora a eficácia do processo de ensino e aprendizagem.

Memória de trabalho

A memória de trabalho, responsável por reter e processar informações temporariamente, é um sistema do cérebro essencial do processo cognitivo e desempenha um papel essencial em tarefas que envolvem o manejo ativo da informação. Vede alguns pontos-chave que representa a memória de trabalho:

  1. Definição – A memoria de trabalho é temporária e o processamento de informações está envolvida a tarefas cognitivas. Permite manter temporariamente as informações relevantes no momento em que realiza uma tarefa especifica.
  2. Componentes – é frequentemente dividida em componentes, a central executiva e os buffers (armazenamento temporário).
  3. Função – a função principal da memória de trabalho oferece um campo de trabalho mental em que as informações podem ser armazenadas e manipuladas temporariamente.
  4. Capacidade Limitada – A memória de trabalho possui a capacidade limitada. Por vezes, a quantidade de informação pode ser retida e manipulada de uma só vez e limitada a poucos itens.
  5. Interação com Outros Processos Cognitivos – A memoria de trabalho está acoplada com outros processos cognitivos, como a percepção, atenção, percepção e memoria a longo prazo. Desempenha um importante papel na integração de novas informações aos conhecimentos já existentes.
  6. Importância na Aprendizagem – a memoria de trabalho é imprescindível para a aprendizagem, pois permite que as pessoas processem e entendam novas informações antes de trasladar para a memória de longo prazo.
  7. Desenvolvimento e Treinamento – a capacidade da memoria de trabalho pode ser diferente entre os indivíduos, pode também ser influenciada pelas praticas/treinamentos.

Compreender o processo da memoria é importante para educadores, psicopedagogos e pesquisadores, ela exerce um papel crucial para o funcionamento cognitivo e na aprendizagem.

Funções executivas

As funções executivas são representadas por um conjunto de habilidades cognitivas que desempenham importante papel na regulação e controle de atitudes orientadas a determinados objetivos. Essas funções são necessárias para a aprendizagem, para tomar decisões e resolver problemas. Aqui estão algumas das principais funções executivas e como elas se relacionam com a aprendizagem:

  • Planejamento como funções executivas que permitem aos indivíduos a planejar ações futuras de modo eficaz. No contexto da aprendizagem, o planejamento pode abranger a criação de estratégias par desenvolver tarefas acadêmicas e a elaborar planos de estudos.
  • Seleção como capacidade para escolher ações apropriadas para certas situações é trabalhos. Na aprendizagem, a seleção é o ato de selecionar estratégias para resolver problemas e atingir objetivos.
  • Inibição como a capacidade para controlar impulsos e resistir as distrações.
  • Flexibilidade Cognitiva que permite que os indivíduos se adaptem ao pensamento e comportamento frente as mudanças circunstanciais. Na aprendizagem, flexibilidade cognitiva é fundamental para enfrentar desafios ao ajustar estratégias de estudos.
  • Controle Inibitório para controlar impulsos inadequados importante para a aprendizagem, pois contribui para evitar comportamentos que possam interferir no ensino.
  • Tomada de Decisão como funções executivas ajuda a tomar decisões eficaz. Essa tomada de decisão envolve diferentes modos de estudos e a alocar tempo para tarefas acadêmicas.

O desenvolvimento das funções executivas e as habilidades são importantes para o sucesso para o ambiente educacional. Intervenções que promovam o desenvolvimento das funções executivas contribuem para o sucesso escolar.

O potencial do Cérebro

A potencialidade do cérebro se refere a capacidade de processar informações cognitivas, de raciocinar, lembrar, executar diversas funções cognitivas. Veja alguns aspectos relacionados ao potencial do cérebro:

  • Plasticidade cerebral – possui a capacidade de adaptar-se e modificar ao longo do tempo em aprendizado e experiencias e lesões.
  • Aprendizagem e Memória – Aqui o cérebro é capaz de assimilar novas informações e armazená-las, processo chamado de memória. É possível possuir memória de longo prazo bem como, de curto prazo. O cérebro humano saudável, faz conexões entre ideias, criando soluções e contribuindo para as inovações.
  • A capacidade para Resolver Problemas – utilizando processos lógicos e criativos.
  • Controle motor – coordena os movimentos do corpo, de tarefas simples até as mais complexas.
  • Processamento sensorial – Interpreta informações sensoriais permitindo interagir com o ambiente a sua volta.
  • Funções executivas – Inclui habilidades – planejamento, tomada de decisões, flexibilidade cognitiva, autocontrole e atenção.
  • Consciência – consciência de nós mesmos e do outro, consciência do mundo a seu redor.

Contudo o potencial cerebral seja vasto, é importante ressaltar que o seu desenvolvimento pode ser influenciado pela genética, saúde mental, ambiente, experiencia e hábitos de vida. Para otimizar seu funcionamento, é preciso estimulá-lo por meio de atividades intelectuais, sociais e físicas.

Método: pesquisas em sitio, revistas eletrônicas, obras acadêmicas e trabalhos científicos.Parte superior do formulário

Conclusão

Para concluir, a parceria da neurociência para a educação presenteia com uma visão reveladora sobre os complexos processos mentais que acomoda nosso aprendizado. Ao desvendar as complexidades do processo e o armazenamento das informações, assimilamos melhor como escolher comportamentos e trabalhar suas funções executivas.

O cérebro funciona como uma sinfonia de neurônios interconectados, nos permite a conhecer a fascinante plasticidade cerebral, apresentando sua notável capacidade de adequação. A memória é essencial para a construção do conhecimento, é elucidada em suas nuances, demonstra como as informações são armazenadas e recuperadas ao longo da vida.

As funções executivas, que organizam e gerenciam nossas habilidades cognitivas, surgem como peças-chave na compreensão para a tomada de decisões, para o planejamento e resolução de problemas. A união entre neurociência e educação revela o potencial extraordinário do cérebro humano, apresenta não apenas seus desafios, como também as diversas oportunidades para fazer valer o processo educacional.

Ao concordar com a interconexão desses elementos, caminhamos para as estratégias inovadoras no ensino, contribuímos para criar ambientes de aprendizados mais eficazes e adaptados as necessidades dos alunos. Por último, compreender a profundeza desses aspectos neurocientíficos enriquece as práticas educacionais e capacita aos educadores e alunos a explorar seus potenciais e suas mentes, proporcionando um ciclo virtuoso e contínuo de aprendizagem e desenvolvimento pessoal.

Referências bibliográficas:

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Apresentação do PowerPoint (usp.br)

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https://novaescola.org.br/Como a neurociência pode contribuir para a recomposição de aprendizagens? | Nova Escola. Acesso em: 5 de janeiro de 2024.

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Números em revisão : Revista Pesquisa Fapesp

O que é Acomodação na Psicologia de Piaget? – Psicoativo ⋆ Universo da Psicologia

Como a neurociência pode contribuir para a recomposição de aprendizagens? | Nova Escola.

Bernardo Dias,Cleumar.; Berenice Dias Alvizuri,Sofia. Como utilizar a neurociência para favorecer o processo de ensino e aprendizagem. Brasília, 2024.

Baixe o Artigo abaixo em PDF.

Neurociência na Educação

Revision List

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#3 on 2024-fev-02 sex  02:53+-10800

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Author: Angelo Froes
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