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Filosofia e as bases para a construção da prática pedagógica

por Luciana Cordeiro Felipetto

FILOSOFIA E AS BASES PARA A CONSTRUÇÃO DA PRÁTICA PEDAGÓGICA 

Resumo: O presente estudo quer trazer à luz o conceito filosófico que norteia todas as práticas educativas e dá origem à fundamentação da educação dos tempos atuais. A educação é a base para se adquirir e perpetuar conhecimento social e valores éticos, morais e sociais, além de passar para as futuras gerações as conquistas tecnológicas, ajudando nas descobertas necessárias à evolução e preservação da espécie humana. Sistematizar o conhecimento é necessário para que a aprendizagem ocorra e ela se articula com a Filosofia, ao mesmo tempo que a exclui sob a ótica da Ciência em seus princípios e contextualizações, principalmente quando se trata de metodologia científica. A Filosofia é matriz para todas as ciências do conhecimento humano e para a prática pedagógica que resulta na Pedagogia, que é uma condição da Filosofia Educacional. Mas curiosamente, a Filosofia não é considerada por muitos uma Ciência.    

Palavras Chaves: Filosofia, Educação e práticas pedagógicas.

Abstract: The present study wants to bring to light the philosophical concept that guides all educational practices and gives rise to the foundation of education in the present times. Education is the basis for acquiring and perpetuating social knowledge and perpetuating ethical, moral and social values, in addition to passing on technological advances to future generations and helping in the discoveries necessary for the perpetuation of the human species. Systematizing knowledge is necessary for learning to occur and it is articulated with philosophy, while excluding it from the perspective of Science in its principles and contextualization. Philosophy is the matrix for all the sciences of human knowledge and for the pedagogical practice that results in pedagogy, which is a condition of educational philosophy. But interestingly, Philosophy is not considered by many to be a science.

Keywords: Philosophy. Education and pedagogical practices.

INTRODUÇÃO

    O presente estudo tem por objetivo através de uma revisão bibliográfica sobre a história da Filosofia, e seus conceitos constatar se existem pontos de convergência entre a Filosofia e a Pedagogia e entender sua origem e seu desenvolvimento até chegar na problemática de não contemplar a metodologia científica e não ser considerada Ciência. Quer entender o momento onde a Filosofia serve de base para todas as outras ciências em atuação no cotidiano, principalmente para a Filosofia Educacional, mas se exclui da ótica científica, pois não tem objeto definido de estudo. Quer constatar a relação da Filosofia com a educação e quais os preceitos da Filosofia Educacional que  levam a formação da Pedagogia. Laços e desenlaces que tornam a Filosofia apaixonante desde os primórdios das civilizações e que sempre foram objeto de estudo e discussões em todas as sociedades, da mais primitiva a mais moderna e contemporânea.

           CAPÍTULO 1

FILOSOFIA

1.1 – Etimologia

A palavra “Filosofia” (do grego) é uma composição de duas palavras: philos (φίλος) e sophia (σοφία). A primeira é uma derivação de philia (φιλία) que significa amizade, amor fraterno e respeito entre os iguais; a segunda significa sabedoria ou simplesmente saber. Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber; e o filósofo, por sua vez, seria aquele que ama e busca a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber. A tradição atribui ao filósofo Pitágoras de Samos (que viveu no século V a.C.) a criação da palavra. (Wikipedia, online).

1.2- Origem e evolução da Filosofia 

A Filosofia surgiu na Grécia, quando começaram a  nascer às polis e as pessoas começaram a questionar os mitos e estes passaram a não serem suficientes para explicar os fenômenos naturais e os da existência humana. Tais premissas e questionamentos tornam os pensadores da época , os filósofos e eles  se encarregaram de exercitar a lógica e buscar explicações científicas para as condições humanas desde então. 

 Desde os primórdios, a Filosofia, busca do saber, é entendida como um discurso racional que surgiu para se contrapor ao modelo mítico desenvolvido na Grécia Antiga e que serviu como base de sua Paideia (educação). A palavra mito é grega e significa contar, narrar algo para alguém que reconhece o proferidor do discurso como autoridade sobre aquilo que foi dito. Foi somente a partir de determinadas condições (navegações, uso e invenção do calendário e da moeda, a criação da democracia que preconizava o uso da palavra, bem como a publicidade das leis etc.) que o modelo mítico foi sendo questionado e substituído por uma forma de pensar que exigia outros critérios para a confecção de argumentos. Surge a Filosofia como busca de um conhecimento racional, sistemático e com validade universal. (Cabral, J.F.P., online).

Cabral, J.F.P., da revista Brasil Escola, online resume muito bem a evolução da Filosofia: 

Platão (428 a.C. – 347 a.C.) mostra que o amor (Filos) é carência, desejo de algo que não se tem. Logo, a Filosofia é carência, mas também recursos para buscar o que se precisa, e o filósofo não é aquele que possui o saber, mas sim quem busca conhecer continuamente. Já no período Medieval, a Filosofia tornou-se investigação racional posta a serviço da fé. Isso porque com o advento do cristianismo e sua adoção pelo Império Romano, bem como com o surgimento da Igreja Católica, desenvolveu-se um modelo de saber em que a razão discursiva justificaria a compreensão dos textos sagrados. No período Clássico (Renascença e Modernidade), a Filosofia se confundiu com o estudo da sabedoria entendida como um perfeito conhecimento de tudo o que o homem pode saber para conduzir sua vida (moral), para conservar sua saúde (medicina) e criar todas as artes (mecânica). Hoje, no período que chamamos de contemporâneo ou pós-moderno, a Filosofia recebe várias acepções, dentre as quais estão a correspondência do ser na linguagem; análise crítica dos métodos utilizados nas ciências é instrumento de crítica às formas dominantes de poder, bem como da tomada de conscientização do homem inserido no mundo do trabalho.

1.3- Concepção da Filosofia sob a ótica de alguns de seus pensadores

Desde sua concepção a Filosofia é objeto de estudo e discussão de muitos pesquisadores.

O filósofo suspeita outra realidade, escondida no mundo em que vivemos. “A natureza gosta de se esconder” (Hcráclito). “Todo homem que for dotado de espírito filosófico há de ter o pressentimento de que, atrás da realidade em que existimos e vivemos, se esconde outra muito diferente e que, por consequência, a primeira não passa de uma aparição da segunda” (Nietzsche, F. Origem da Tragédia. Lisboa, 1972, p. 37)

Leôncio Basbaum (1978), afirma que a Filosofia é a concretização de uni espírito ou de uma ideia que surge como consequência das necessidades de uma época ou de uma classe, pela experimentação ou pela razão, no sentido de demonstrar a verdade desse conceito. É seu papel, ainda, difundí-la. Sofrendo a influência da história, ela encarrega-se de, por sua vez, influenciar e orientar o curso da história de acordo com o interesse dos inventores ou criadores e propagadores dessas idéias. (Basbaum, L.,1978).

Arcângelo Buzzi (1973) relata que consciente ou inconscientemente, explícita ou implicitamente, quem vive possui uma filosofia de vida, uma concepção do mundo. Esta Concepção pode não ser manifesta. Certamente ela se aninha nas estruturas inconscientes da mente. De lá ela comanda, dirige-lhe os passos, norteia a vida. A vida concreta de todo homem é, assim, Filosofia. (Buzzi, A., 1973, p. 8-9).

Segundo Luckesi (2014), a Filosofia é um campo de conhecimento, constituído a partir de um esforço que o ser humano vem fazendo de compreender o seu mundo e dar-lhe um sentido, um significado compreensivo. Corpo de conhecimentos, em Filosofia, significa um conjunto coerente e organizado de entendimentos sobre a realidade. Conhecimentos estes que expressam o entendimento que se tem do mundo, a partir de desejos, anseios e aspirações. (Luckesi, C.C., 2014).

    Marilena Chauí (2000) é uma autora que chama atenção de que nossa vida cotidiana é toda feita de crenças silenciosas, da aceitação tácita de evidências que nunca questionamos porque nos parecem naturais, óbvias. Cremos no espaço, no tempo, na realidade, na qualidade, na quantidade, na verdade, na diferença entre realidade e sonho ou loucura, entre verdade e mentira; cremos também na objetividade e na diferença entre ela e a subjetividade, na existência da vontade, da liberdade, do bem e do mal, da moral, da sociedade. (Chauí, M., 2000, p.8).

Concluímos que a Filosofia é o amor pela sabedoria, pelo conhecimento; é a base da reflexão humana. Se temos racionalidade, temos pensamentos e questões de todo tipo de ordem: política, moral, social, ética, existencial, psicológica e tantas outras. Estamos sempre em busca de respostas e isto torna a Filosofia tão especial e ao mesmo tempo tão despretensiosa sendo vista e tratada sem a devida valorização, chegando a ser questionada por muitos acadêmicos em suas grades curriculares e subestimada pelas pessoas em geral.

             CAPÍTULO II

       FILOSOFIA EDUCACIONAL E A EDUCAÇÃO

2.1- Conceituando Filosofia e Educação

 Educação é a forma de se passar conhecimento. Segundo o dicionário online é a aplicação dos métodos próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano; pedagogia, didática, ensino.

 Já a Filosofia é o amor pelo conhecimento, pelo saber. É a reflexão que impulsiona ao desejo de buscar o objeto do saber e de interesse que vai convergir com a educação em sua forma  metodológica e com a Pedagogia na forma de quais estratégias serão assertivas para esta assimilação do conhecimento.

2.2- Educação mais Filosofia: Filosofia Educacional 

Para o autor Carlos Cipriano Luckesi (2014), podemos observar que os primeiros filósofos do Ocidente, na quase totalidade, tiveram um “preocupar” com o aspecto educacional.

 Os chamados filósofos pré-socráticos, os sofistas, Sócrates e Platão foram os intérpretes das aspirações de seus respectivos tempos e apresentaram-se sempre como educadores. Os pré-socráticos, pelo que podemos saber por seus fragmentos, dedicavam-se a entender a origem do cosmos e a criar uma compreensão para a educação moral e espiritual dos homens. Os sofistas eram educadores. Foram, inclusive, no Ocidente os primeiros a receberem pagamento para ensinar. Sócrates foi o homem que morreu em função do seu ideal de educar os jovens e estabelecer uma moralização do ambiente grego ateniense. Platão foi o que pretendeu dar ao filósofo o posto de rei, a fim de que este tivesse a possibilidade de imprimir na juventude as idéias do bem, da justiça e da honestidade. Da mesma maneira, se percorrermos a História da Filosofia e dos filósofos, vamos verificar que todos eles tiveram uma preocupação com a definição de uma cosmovisão que deveria ser divulgada através dos processos educacionais. Filosofia e Educação são dois fenômenos que estão presentes em todas as sociedades. Uma como interpretação teórica das aspirações, desejos e anseios de um grupo humano, a outra como instrumento de veiculação desta interpretação.  (Luckesi, C.C., 2014, p.31).

Ademais, a Filosofia fornece à educação uma reflexão sobre as temáticas que envolvem a sociedade e os interesses daquele  grupo social que reflete sobre conceitos e discute questões de relevância.

Chauí, M. (2000) afirma que a reflexão filosófica organiza-se em torno de três grandes conjuntos de perguntas ou questões, que podem ser resumidas em o que é pensar, falar e agir? São perguntas sobre a essência, a significação ou a estrutura e a origem de todas as coisas e são citadas a seguir:

1. Por que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos e fazemos o que fazemos? Isto é, quais os motivos, as razões e as causas para pensarmos o que pensamos, dizermos o que dizemos, fazermos o que fazemos? 

2. O que queremos pensar quando pensamos, o que queremos dizer quando falamos, o que queremos fazer quando agimos? Isto é, qual é o conteúdo ou o sentido do que pensamos, dizemos ou fazemos? 

3. Para que pensamos o que pensamos, dizemos o que dizemos, fazemos o que fazemos? Isto é, qual é a intenção ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos? (Chauí, M., 2000, p. 12).

Nesta condição verificamos que estes questionamentos impulsionam o homem em direção a educação, que é a busca de conhecimento e de aprender com as experiências e fatos ocorridos e /ou   vivenciados através de práticas e metodologias próprias e padronizadas pelos gestores em educação. A partir de reflexões sobre a vida e como as coisas acontecem é possível adquirir e estabelecer ensino-aprendizagem e corroborar para a criação e implementação de tais práticas pedagógicas.

Maria Lúcia de Arruda Aranha (1993), atesta a importância da Filosofia no âmbito educacional e é a favor da inclusão do curso de Filosofia no currículo das escolas de 2º grau e nas séries iniciais do 3º grau. 

O fato de que algumas pessoas consideram a Filosofia algo desnecessário e que só os alunos de ciências humanas deveriam se ocupar com seu estudo, e não os futuros engenheiros, médicos, comerciantes, técnicos e profissionais da área de ciências exatas e biológicas; é motivo de discussão entre os que defendem esta condição e os que acham perda de tempo aprender sobre questões filosóficas para gerir sua formação e no futuro suas carreiras. (Grifo nosso). Ademais a autora defende a ideia de que a iniciação filosófica não só é necessária como também deveria ser obrigatória do ponto de vista pedagógico, por ser muito importante para a formação integral de todos os alunos. Afirma categoricamente que a Filosofia pode estimular a elaboração do pensamento abstrato e ajuda a promover a passagem do mundo infantil ao mundo adulto. Se a condição do amadurecimento está na conquista da autonomia no pensar e no agir, muitos adultos permanecem infantilizados quando não exercitam desde cedo o olhar crítico sobre si mesmos e sobre o mundo. (Aranha, M.L.A., 1993, p. 21).

Nas relações entre Filosofia e Educação só existem realmente duas opções: ou se pensa e se reflete sobre o que se faz e assim se realiza uma ação educativa consciente; ou não se reflete criticamente e se executa uma ação pedagógica a partir de uma concepção mais ou menos obscura e opaca existente na cultura vivida do dia-a-dia – e assim se realiza uma ação educativa com baixo nível de consciência. Filosofia e educação, pois, estão vinculadas no tempo e no espaço […]; e não há como fugir a essa “fatalidade” da nossa existência. (Luckesi, 2014, p. 32-33).

Ressaltamos ainda a advertência de Sócrates: “Tu ofereces aos alunos a aparência e não a verdadeira sabedoria, porque eles recebem, graças a ti, muitas informações sem aprendizagem e se consideram homens de grande saber embora permaneçam fundamentalmente ignorantes e desagradáveis companheiros porque de fato não conquistaram a sabedoria, mas a presunção da sabedoria” (Platão, Fedro, 275 e apud  Buzzi, 1973). 

Arcângelo Buzzi (1973) no final de seu livro Introdução ao pensar refere-se a algo bem atual quando o assunto é educação: hoje em dia muito se lê, muito se conhece e pouco se pensa. Daí a insatisfação do pensamento e a dificuldade que o aluno tem de transcender e fazer suas próprias formulações, de pensar a respeito dos ensinamentos filosóficos, educacionais e sociais (Buzzi, 1973, p. 226, Grifo nosso); e podemos notar que além dele ter reportado sobre esta problemática em educação, os filósofos Platão e Sócrates, também já abordaram esta temática no início das formulações sobre a Filosofia.

        CAPÍTULO III

PEDAGOGIA E SUAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS

3.1-Pedagogia

A palavra Pedagogia tem origem na Grécia antiga e vem das palavras: “paidos” (“da criança”) e “agein” (“conduzir”). A Grécia clássica pode ser considerada o berço da Pedagogia, pois foi lá que nasceram as primeiras ideias acerca da ação pedagógica, ponderações que vão influenciar, por muitos anos, a educação e cultura ocidentais e vincular a imagem do Pedagogo à formação das crianças. Atualmente, a Pedagogia tem, como objetivo principal, a melhoria no processo de aprendizagem dos indivíduos, através da reflexão, sistematização e produção de conhecimentos. Como ciência social, a Pedagogia está conectada com os aspectos da sociedade e também com as normas educacionais do país. (Wikipedia, online).

3.2- Práticas Pedagógicas

A Pedagogia é a ciência que busca estratégias para que a relação ensino-aprendizagem ocorra da maneira mais assertiva para o sujeito em processo de aprendizagem e para que o aprendiz possa assimilar este conhecimento. Ela utiliza-se de métodos e metodologias que são compreendidos por práticas pedagógicas.

As práticas pedagógicas incluem desde o planejamento e a sistematização da dinâmica dos processos de aprendizagem até a caminhada no meio de processos que ocorrem para além da aprendizagem, de forma a garantir o ensino de conteúdos e atividades que são considerados fundamentais para aquele estágio de formação do aluno, e, por meio desse processo, criar nos alunos mecanismos de mobilização de seus saberes anteriores construídos em outros espaços educativos. O professor, em sua prática pedagogicamente estruturada, deverá saber recolher, como ingredientes do ensino, essas aprendizagens de outras fontes, de outros mundos, de outras lógicas, para incorporá-las na qualidade de seu processo de ensino e na ampliação daquilo que se reputa necessário para o momento pedagógico do aluno. Duas questões se mostram fundamentais na organização das práticas pedagógicas: articulação com as expectativas do grupo e existência de um coletivo. As práticas pedagógicas só podem ser compreendidas na perspectiva da totalidade, ou seja, essas práticas e as práticas docentes estruturam-se em relações dialéticas pautadas nas mediações entre totalidade e particularidade. (Franco, 2016).

Luckesi (2014), em seu livro Filosofia da Educação trabalha com a retórica que a reflexão filosófica sobre a educação é que dá o tom à Pedagogia, garantindo-lhe a compreensão dos valores que, hoje, direcionam a prática educacional e dos valores que deverão orientá-la para o futuro. Assim, não há como se ter uma proposta pedagógica sem pressuposições (no sentido de fundamentos) e proposições filosóficas, desde que tudo o mais dependa desse direcionamento. Para lembrar exemplos corriqueiros, a “Pedagogia Montessori”, a “Pedagogia Piagetiana”, a “Pedagogia da Libertação” do professor Paulo Freire, e todas as outras sustentam-se em um pensamento filosófico sobre a educação. Se nem sempre esses pressupostos estão tão explícitos, é preciso explicitá-los, desde que eles sempre existam. Por vezes, eles estão subjacentes, mas nem por isso inexistentes. O Estudo e a reflexão deverão “obrigá-los” a aparecer, desde que só a partir da tomada de consciência desses pressupostos é que se pode optar por escolher uma ou outra pedagogia para nortear nossa prática educacional. (Luckesi, C.C., 2014, p.33). 

O estudante do século XXI passou a ser o personagem principal na busca e construção do conhecimento, enquanto o professor assumiu o papel de mediador do ensino. Com esta nova condição os educadores estão revendo a filosofia e as formas de ensinar. É preciso diversificar para atingir este aluno que quer ser o protagonista de sua aprendizagem e dos conteúdos que quer aprender. Filosofando estamos em vias de reconstruir as diretrizes da educação, questionando e buscando novas metodologias de aprendizagem. Estamos na era digital e a escola e suas metodologias de ensino devem acompanhar esta evolução com novas abordagens.

Abaixo verificamos a Pirâmide da Aprendizagem da teoria do psiquiatra americano William Glasser, que demonstra que o método ativo é mais eficaz para o aluno aprender.

 Figura 1

              Fonte:  https://blog.portabilis.com.br/praticas-pedagogicas-6-exemplos-para-sala-de-aula

As Metodologias Ativas tem como objetivo valorizar a participação efetiva dos alunos na construção do conhecimento e no desenvolvimento de competências, levando em consideração seu ritmo, tempo, condições emocionais e cognitivas, por meio de diferentes formas de experimentação e compartilhamento, dentro e fora da sala de aula. As principais estão listadas na tabela a seguir: 

Tabela 1

METODOLOGIAS ATIVAS 

DEFINIÇÕES

ARTEFATOS TECNOLÓGICOS

Aprendizagem baseada em projetos (ABP)

A metodologia, também chamada de project-based learning (PBL), faz com que os alunos construam seus saberes de forma colaborativa, por meio da solução de desafios.

Vídeos, Fóruns Digitais, Cartazes e Maquetes.

Aprendizagem baseada em problemas

A aprendizagem baseada em problemas (ABP) é focada na parte teórica da resolução de casos. O método promove a interdisciplinaridade quando o aprendiz tem que trabalhar em grupo para a resolução de um problema proposto pelo professor.

Lousa digital, computadores, smartphones, tablets com internet. Qualquer tipo de artefato serve nesta modalidade.

Gamificação 

A metodologia é principalmente utilizada para gerar maior engajamento, motivar a ação, promover a aprendizagem ou resolver problemas de modo criativo.

Jogos e desafios em situações de sala de aula. Pode utilizar desde jogos de tabuleiro a jogos eletrônicos e programas como scrap chat, Pixels e outros aplicativos que contenham jogos.

Sala de aula invertida

Também chamada de Flipped Classroom, é uma metodologia ativa amplamente conhecida, derivada do ensino híbrido. Seu diferencial reside no uso da tecnologia, que mistura a experiência digital  e de sala de aula, potencializando o aprendizado.

Internet e aplicativos

Aprendizagem entre pares

Promover o trabalho em duplas torna mais simples a forma como os conceitos são explicados. Além disso, contribui tanto na formação do pensamento crítico, quanto na capacidade dos alunos de respeitar as opiniões divergentes.

Qualquer artefato tecnológico

Fonte: Tabela confeccionada a partir de dados obtidos no site  https://bloga.grupoa.com.br/metodologias-ativas.

  CAPÍTULO IV                

      FILOSOFIA E CIÊNCIA 

Segundo Jaspers, a filosofia não tem objeto e:

Querer apontar-lhe um, a não ser em sentido metafórico, seria identificá-la desastradamente com as ciências que, para existir, necessitam de objeto definido. Nem se pode afirmar que a filosofia toma por objeto o todo. O que é um objeto senão aquilo que é posto diante da atividade de conhecimento, a certa distância do sujeito? Mas o todo não pode ser posto diante do conhecimento filosófico como uma realidade distinta. O próprio filósofo faz parte dele. Qualquer que seja o modo como eu o compreenda, este todo não se reveste jamais das características de um puro objeto. (Vancourt, R. p. 10-11).

 Para Aristóteles: “Aquele que é mais exato e mais capaz de ensinar as causas é mais sábio, em todas as áreas do conhecimento. E quanto às ciências, igualmente, aquilo que é desejável por si mesmo e com vistas apenas ao conhecimento é mais próprio da sabedoria do que aquilo que é desejável com vistas aos seus resultados …” (Metafísica, livro 1, cap. 2, 982a.10). 

A utilização do termo Ciência no sentido contemporâneo é bastante recente, consolidando-se somente no século XX. Porém, a Ciência – neste sentido do termo – é mais antiga, remontando mais ou menos ao século XVII. No meio tempo, era usualmente denominada filosofia natural. Tal denominação reflete, é claro, a origem da ciência naquela busca do saber pelo saber destacada pelos antigos. Eles não distinguiam Ciência de Filosofia; tudo era Filosofia. A palavra Ciência, que já existia (em latim scientia; em grego episteme), era usada para diferenciar o tipo especial de conhecimento a que Aristóteles cantou louvores: o conhecimento universal e certo acerca dos 3 fenômenos naturais, dos números, das figuras geométricas, etc., buscado sem preocupações práticas. Esse ideal de universalidade e certeza foi incorporado às Ciências, no sentido contemporâneo da palavra, quando começaram a surgir no século XVII. O impressionante sucesso explicativo e preditivo das nascentes disciplinas foi atribuído a um novo método de investigação, que supostamente aliava a observação cuidadosa e, quando possível, controlada dos fenômenos, ao crivo da razão. No caso mais significativo, a física, a matematização foi também um ingrediente importante nesse método. A compreensão precisa do chamado “método científico”, das características que distinguiram as disciplinas científicas das não-científicas, ou pseudocientíficas, constituiu, desde então, um dos temas mais polêmicos da filosofia da ciência, a área da filosofia que se ocupa da análise do conhecimento científico. (Chibeni, S.S. 2001).

A ciência tira conclusões sobre o modo que o mundo é, e o modo que a teoria científica se relaciona a esse mundo. Tira-as por meio de evidências de experimentação, dedução lógica, e pensamento racional a fim de examinar o mundo e os indivíduos que existem dentro da sociedade. Em fazer observações dos indivíduos e seus arredores, a Ciência procura explicar os conceitos que estão envolvidos com a vida diária. Um conceito central em filosofia da ciência é o empirismo, ou dependência da evidência. Empirismo é a visão de que o conhecimento deriva da experiência do mundo. Nesse sentido, afirmações são sujeitas e derivadas de nossas experiências ou observações. Hipóteses científicas são desenvolvidas e testadas através de métodos empíricos, consistindo de observações e experimentos. Uma vez reproduzidos o bastante, a informação resultante conta como evidência sobre as quais a comunidade científica desenvolve teorias que se propõem a explicar fatos sobre o mundo. (wikipedia, online).

              CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar dos estreitos vínculos históricos entre a Ciência e a Filosofia, os cientistas atuais muitas vezes percebem a Filosofia como um campo completamente diferente e até antagônico à ciência. Mas como podemos constatar, a Filosofia tem um impacto importante e produtivo nas ciências, na educação e na sociedade.

A Filosofia é o amor pelo conhecimento; e este é o que motiva o aprendiz e faz com que ele busque incessantemente por mais conteúdos e embasamentos. Mas, o aprendiz necessita de modelos de educação assertivos à sua condição biopsicossocial para concretizar suas indagações e anseios por este conteúdo de interesse.  

Assim, experimenta na prática o que a Pedagogia postula sobre adequações na prática pedagógica, para torná-la acessível e inclusiva para todos os aprendizes e adequada a todas às condições  respeitando, principalmente, princípios como: isonomia e equidade nas políticas de educação.       Cada sujeito experimenta, adquire e vivencia o conhecimento sob uma ótica bem particular e tudo é estudado sendo foco da Pedagogia para que uma aprendizagem seja realmente assimilada, independente do sujeito e de sua inserção no contexto social, cognitivo e emocional.  

A busca de novos modelos educacionais a partir da premissa da evolução social, diversidade e mudança no perfil do aluno desta era digital e mudança no foco do protagonismo educacional levam a muitas discussões e estudos com metodologia científica e parametrização para que a escola de hoje seja uma escola para todos. 

Observamos neste estudo uma mudança de paradigma educacional. O foco saiu do professor e passou para o aluno nos tempos atuais. Ele deve ser o protagonista de sua aprendizagem e deve ser estimulado a pensar sobre o que aprendeu e como isto vai impactar a sociedade e sua vida em sociedade. Nada mais filosófico do que desenvolver a crítica e o pensar sobre assuntos contemporâneos, seus impactos sociais e como poderão influenciar  novos estudos e conhecimentos que serão transferidos a futuras gerações. Educação com responsabilidade social  tem poder transformador.

Ademais, uma nova Filosofia Educacional surge e comprova que ideias e preceitos sociais são mutáveis e dependem da evolução da espécie e de valores socialmente aceitos, o que torna a Filosofia sempre dinâmica e em constante transformação, fato que corrobora para que não seja aceita por muitos pesquisadores como Ciência. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Aranha, Maria Lúcia Arruda (2013). Filosofando, Introdução à Filosofia. São Paulo, Editora  Moderna. 

Aristotle. Metaphysics. In: Barnes, J. (ed.) The Complete Works of Aristotle. Princeton, Princeton University Press, 1984. 

Basbaum, Leôncio (1978). Sociologia do materialismo. São Paulo, Editora Símbolo.

Buzzi, Arcângelo (1973). Introdução ao pensar. Petrópolis. Editora Vozes.

Cabral, João Francisco Pereira. “O conceito de Filosofia”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/a-filosofia-grega.htm. Acesso em 17 de abril de 2020.

Chauí, Marilena. (2000). Convite à Filosofia. São Paulo. Editora Ática.

Chibeni, Silvio Seno. Observações sobre as relações entre a ciência e a filosofia. Departamento de Filosofia – Unicamp – Brasil [email protected] – www.unicamp.br/~chibeni.

Franco, Maria Amélia do Rosário Santoro. (2016). Prática pedagógica e docência: um olhar a partir da epistemologia do conceito. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, 97(247), 534-551. https://doi.org/10.1590/s2176-6681/288236353. 

Jasper, Karl (1980). Introdução ao pensamento filosófico. 4. ed. São Paulo. 

Luckesi, Carlos Cipriano (1994). Filosofia da Educação. São Paulo. Editora Cortez.

Nietzsche, F. (1972). Origem da Tragédia. Ed.     Lisboa.

 Perdigão, Antônia (2001). A filosofia existencial de Karl Jaspers. Análise Psicológica. https://www.researchgate.net/publication/237689981_A_filosofia_existencial_de_Karl_Jaspers.

Porfírio, Francisco. “Pitágoras”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/pitagoras-1.htm. Acesso em 17 de abril de 2020.

Vancourt, R. (1964). A estrutura da filosofia: filosofia e fenomenologia. São Paulo: Duas Cidades.

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